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Click para Release: A revolta do parafuso

Setembro, 2018
Evandro Camperom

Antes de ler eu já cantava, como todos nós, aliás. Entre a fala e a letra impressa houvera, sempre, o solfejo das cantigas. Minha infância fora profundamente marcada por um cotidiano impregnado de sons: Meu pai, metalúrgico por sobrevivência, e cantor e compositor, por vocação, fora o principal responsável por povoar a casa de música e de músicos. As festas, os ensaios, as audições acaloradas. Do outro lado, minha mãe cantava as canções de Roberto Carlos enquanto cumpria os afazeres domésticos. Cresci “arrodeado” por vozes faladas e cantadas. Uma infância com direito a arriscar-se nos instrumentos de percussão, a entoar cantigas tradicionais em uníssono com os adultos, a observar a destreza de um sanfoneiro cego, amigo da família, escandindo um tema de Sivuca ou de Dominguinhos.

Nasci em São Lourenço da Mata, Pernambuco, na madrugada de vinte e sete de dezembro de setenta e sete. Os primeiros anos da infância passaram-se ali, na casa pequena de meus avós. Em São Paulo cheguei aos treze anos, tendo passado antes pelo Rio de Janeiro. Acostumei-me a ser estrangeiro em todo o canto, criei pra mim um chão imaginário, um terreiro em que me piso e colho os sons e versos em que me reconheço: Poesia e música, letra lavrada e cantada. Nordestinado, dissera o poeta, sigo.

Em 2009 lancei meu primeiro cd, Algazarra, produzido por Chico Valle e com participações mais do que especiais.

Uma alegria ter gravado esse disco. Cantei, me calei, cantei de novo. E muita coisa aconteceu: o amor, os filhos, a urgência de viver as coisas, a urgência de cantar as coisas. E o tempo vai tecendo sua trama feito um menino cutucando o nariz.

Em 2014 nascera o Ferramenta Quente, produzido por Caio Andrade e Fabá Jimenez. E a gente rodou, viajou, madurou no sereno, chutou muita pedra molhada de orvalho.

Pois bem, agora a oferta é outra, apresento-lhes A Revolta do Parafuso. Jovem ainda. Ensaiando os primeiros passos. Cumpra-se, pois, o destino de todo o som: alcançar os ouvidos de alguém e dormir numa cama de silêncio.

Em verdade é isso, só sei fazer isso, juntar cacos de palavras e de sons, dar de comer a eles e soltá-los no mundo. No fundo, esse disco A Revolta do Parafuso é o retrato da luta diária para aprender a distribuir as dádivas que recebi.

Que a vida seja do jeito que a gente inventar.

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Micuim Produções
Flávia Corrêa
(11)94762-0212 / 3877-7000
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